A escola já gasta o suficiente para neutralizar a reforma. Só falta a nota.
Estudo com os números reais de um colégio, sem identificação, sobre o balancete de janeiro a junho de 2026.
O ensino tem redução de 60%, mas a escola quase não compra com nota
Metade da receita vai para folha, que nunca gerou crédito. E quase um quarto vai para despesas lançadas sem comprovante fiscal , que também não geram. Sobra 1,51% de compra documentada.
E aqui está a boa notícia escondida no balancete. As despesas sem comprovante somam 23,22% da receita, e o ponto de equilíbrio da reforma está em 22,4%. Documentar o que a escola já gasta resolveria a conta inteira.
Onde vai o dinheiro deste colégio
Compare com outros setores que já estudamos. Uma clínica compra 16,7% da receita, uma imobiliária compra em torno de 20% e um comércio compra 80%. Este colégio compra 1,51% , e é esse número que decide todo o resultado.
Educação infantil, fundamental e médio estão nomeados no Anexo II
“Ficam reduzidas em 60% as alíquotas do IBS e da CBS incidentes sobre o fornecimento dos serviços de educação relacionados no Anexo II desta Lei Complementar.” LC nº 214/2025, art. 129, caput. Regra geral no art. 128, inciso I
Ensino Infantil, inclusive creche e pré-escola , NBS 1.2201.1. Ensino Fundamental, 1.2201.20.00. Ensino Médio, 1.2201.30.00.
A alíquota do ensino fica em 11,2% . A referência ainda será fixada por resolução do Senado, art. 349.
O parágrafo único do art. 129 diz que a redução não se aplica a outras operações ocorridas no âmbito da escola. Cantina, uniforme, material didático vendido e evento pagam cheio.
No Simples, o colégio é Anexo III. O art. 18, § 5º-B, inciso I, da LC nº 123/2006 nomeia "creche, pré-escola e estabelecimento de ensino fundamental, escolas técnicas, profissionais e de ensino médio". Isso importa para a conta do próximo slide.
Comparar o DAS inteiro com IBS e CBS é comparar coisas diferentes
O DAS reúne vários tributos. O IBS e a CBS substituem apenas parte deles: Cofins, PIS e ISS. IRPJ, CSLL e a contribuição previdenciária continuam existindo depois da reforma.
O número a comparar é 4,94%, não 10,06%. Quem compara o DAS cheio conclui que a reforma quase empata. Comparando só o que ela substitui, o quadro é outro, e o próximo slide mostra qual.
Se a escola migrasse hoje, a conta mais que dobraria
Guia única, sem crédito nenhum sobre as compras.
10,78% da receita, contra 4,94% de hoje.
ou R$ 31.239,99 no semestre, R$ 5.206,67 por mês
é toda a compra com nota que a escola tem para creditar
da receita em compra com nota, e a conta empata com a de hoje
Leia com cuidado: isso não é um aumento automático. Permanecendo no Simples, a escola continua pagando o DAS. Este número mede o custo de migrar para o regime regular, e serve para mostrar o quanto a falta de crédito pesa.
A escola já gasta o que precisa. Falta a nota fiscal.
de compra com nota no semestre, ou 22,4% da receita
lançados como despesa indedutível, ou 23,22% da receita
O dinheiro já sai do caixa. O que não existe é o documento. Se essa despesa fosse aquisição legítima de bem ou serviço, com nota no CNPJ da escola e imposto destacado, ela cobriria todo o ponto de equilíbrio, com folga de R$ 4.581.
Com uma ressalva honesta, e ela é grande. Não dá para presumir que os R$ 124.230 sejam aquisições tributáveis. Parte pode ser pagamento a pessoa física, retirada, despesa pessoal ou lançamento de acerto, e nada disso vira crédito por melhor que seja documentado. O primeiro trabalho é abrir essa conta e ver o que há dentro dela.
O que uma escola compra, e quase nunca com nota no CNPJ
Repare no que já existe e não está sendo aproveitado. A escola tem energia elétrica de R$ 2.564,06 e honorários contábeis de R$ 4.863,00 no semestre, os dois com nota. São só esses dois que sustentam quase todo o crédito possível hoje.
Nem tudo o que a escola cobra é mensalidade
O parágrafo único do art. 129 é expresso: a redução de 60% vale sobre a contraprestação dos serviços listados no Anexo II, e não alcança outras operações ocorridas dentro da escola.
Mensalidade da educação infantil, do fundamental e do médio. Matrícula, quando é contraprestação do próprio ensino.
Cantina própria, venda de uniforme e de material didático, locação de quadra e de auditório, evento aberto, transporte escolar cobrado à parte, curso livre fora do Anexo II.
Neste balancete a receita está toda numa conta só. Os R$ 534.967,71 aparecem como "serviços prestados", sem separação. Se houver cantina, uniforme ou evento dentro desse valor, a apuração vai errar a partir de 2027. Separar por natureza é a primeira providência, e é contabilidade, não tributo.
Quatro coisas, e a primeira vale a reforma inteira
Direção com a Voga, começa este mês. São R$ 124.230 no semestre. Separar o que é aquisição legítima do que é pagamento a pessoa física ou retirada. Só a primeira parte pode virar crédito, e ela cobre o ponto de equilíbrio.
Secretaria e financeiro, começa esta semana. Material, manutenção, limpeza, gráfica e serviço terceirizado. Cada R$ 1.000 com nota devolvem R$ 280.
Contabilidade, no próximo fechamento. Mensalidade em uma conta, cantina, uniforme, material e evento em outras. São 11,2% contra 28%.
Voga, com o balancete atualizado. Comparando só a parcela do DAS que o IBS e a CBS substituem, e não a guia inteira. O simulador já faz isso com campo próprio de repartição.
Nenhuma das quatro depende de regulamentação. As quatro dependem de rotina interna e de contabilidade, e por isso dá para começar hoje.
O que joga a favor e o que exige atenção
Infantil, fundamental e médio nomeados no Anexo II, arts. 128, I, e 129.
Art. 47, § 10. A escola debitaria 11,2% e creditaria 28% sobre o que comprar com nota.
23,22% da receita saem do caixa sem comprovante. Documentar parte disso muda o resultado inteiro.
É o maior custo da escola e não devolve nada, hoje nem depois.
Sem separar mensalidade de cantina, uniforme e evento, a apuração erra a partir de 2027.
A tabela reduzida do Simples depois da reforma depende de regulamentação. Até lá, toda projeção é premissa.
A reforma não para em 2026, e a gente também não
No nosso Instagram publicamos as novidades de tudo o que muda, sempre com a fonte oficial no rodapé de cada publicação: lei, decreto, instrução normativa e ato do Comitê Gestor. Nada de boato, nada de número solto.
Simule a sua escola com os seus números
A Voga mantém um simulador aberto que compara o que a escola paga hoje com o que pagará em 2027 e em 2033, com a memória de cálculo linha a linha.
Ele aplica a mesma redução de 60% e mantém o crédito sem estorno, que é a regra da educação.
No Anexo III ele vem preenchido com 49,10%, e é isso que permite comparar sem inflar o número de hoje.
A Voga abre a despesa sem comprovante e mede quanto dela pode virar crédito de verdade.