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Estudo personalizado, reforma tributária sobre o consumo

A estrutura desta clínica a coloca no lado ganhador da reforma

Um estudo com os números reais da clínica, feito pela Voga sobre o balancete, o acompanhamento de entradas e a declaração de faturamento.

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Em uma frase

A conta de imposto sobre consumo cai, e cai muito, por causa de como a clínica é montada

Duas coisas se somam a favor. A saída tem redução de 60% porque serviço de saúde está na lista da lei. E a entrada tem uma base de crédito enorme, porque quase toda a operação passa por nota fiscal de outras pessoas jurídicas.

64,6%
da receita é compra com nota, contra 16,7% da clínica média
11,2%
é a alíquota da saída, menos da metade da normal

Mas há uma condição, e ela não depende da clínica. O crédito que a clínica aproveita é o que cada médico PJ destaca na nota dele. Essa única variável decide entre recolher e acumular crédito, e ela está detalhada mais adiante.

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O ponto de partida

Os números que entraram neste estudo

R$ 13,19 milhões

faturado nos 12 meses de julho de 2025 a junho de 2026, conforme a declaração assinada

R$ 904.979 por mês

receita média dos seis meses de 2026 fechados, base usada em toda a simulação

35,4% de margem

R$ 320.211 por mês antes dos impostos sobre o lucro

As três fontes foram cruzadas e fecham ao centavo. O acompanhamento de entradas e o balancete registram exatamente R$ 3.195.127,83 de serviços adquiridos de PJ e R$ 313.480,17 de material, nos mesmos seis meses. Nenhum número deste estudo é estimativa de faturamento.

Balancete de 01/01/2026 a 30/06/2026, acompanhamento de entradas do mesmo período, resumo de impostos lançados e relatório de faturamento de 12 meses.
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Por que esta clínica é diferente

Quase toda a operação passa por nota de pessoa jurídica

Serviços médicos PJ, o corpo clínico contratadoR$ 532.521,31
Material de uso e consumoR$ 52.246,69
Total que gera crédito, 64,6% da receitaR$ 584.768,00

O corpo clínico é PJ

São 88 fornecedores no período, e os maiores são clínicas e sociedades médicas de gastroenterologia, coloproctologia e endoscopia. Só o serviço de diagnóstico por imagem soma R$ 840.271,73 em seis meses.

E isso vira crédito

No sistema atual essas notas não abatem nada. A partir de 2027 cada uma delas passa a descontar imposto, desde que venha com destaque de IBS e CBS.

Valores mensais médios, apurados sobre seis meses de 2026.
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A redução que a lei deu à saúde

Serviço de saúde paga menos da metade da alíquota normal

28%
alíquota de referência estimada para o IVA
11,2%
o que sobra para serviço de saúde, com a redução de 60%

“Ficam reduzidas em 60% as alíquotas do IBS e da CBS incidentes sobre o fornecimento dos serviços de saúde relacionados no Anexo III desta Lei Complementar, com a especificação das respectivas classificações da NBS.”LC nº 214/2025, art. 130, caput. A regra geral está no art. 128, incisos II, III e V

A redução não vale por ser clínica, vale por o procedimento estar na lista. Endoscopia digestiva alta, colonoscopia, retossigmoidoscopia, ultrassonografia e biópsia hepática precisam ser conferidas uma a uma contra o Anexo III, pela classificação NBS. Procedimento fora da lista sai a 28%.

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A regra que faz a diferença

A saída é reduzida, e mesmo assim a entrada credita integralmente

“A realização de operações sujeitas a alíquota reduzida não acarretará o estorno, parcial ou integral, dos créditos apropriados pelo contribuinte em suas aquisições.”LC nº 214/2025, art. 47, § 10

O que isso significa em dinheiro

A clínica debita 11,2% sobre o que fatura, mas credita tudo o que os fornecedores destacaram, sem redução proporcional. Em muitos setores a redução na saída vem com estorno na entrada. Aqui não vem.

Por que isso pesa tanto aqui

Porque a base de compra é 64,6% da receita. Numa clínica que compra 16,7%, essa regra ajuda pouco. Nesta, ela é o motor do resultado.

Vale reparar no efeito. Débito de 11,2% sobre R$ 904.979,45 dá R$ 101.357,70. Se o crédito das compras vier pela alíquota cheia, ele passa dos R$ 163 mil, e a clínica termina o mês com crédito, não com imposto a pagar.

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Uma conquista que quase ninguém comentou

Glosa não é receita, e agora está escrito na lei

“Não integram a base de cálculo do IBS e da CBS dos serviços de saúde os valores glosados pela auditoria médica dos planos de assistência à saúde e não pagos.”LC nº 214/2025, art. 130, parágrafo único

O que muda

O que o plano glosou e não pagou sai da base. Hoje o ISS incide mesmo sobre o que foi glosado.

A condição

A lei exige as duas coisas: glosado pela auditoria médica e não pago. Glosa recursada e paga depois volta para a base.

O que isso cobra

Controle de glosa mês a mês, com faturado, glosado, recursado e recebido. Sem essa prova não dá para excluir.

Numa clínica que fatura R$ 904.979 por mês, cada ponto percentual de glosa é R$ 9.050 fora da base. A 11,2%, são R$ 1.013 por mês que deixam de ser pagos a cada 1% de glosa. Começar o controle agora é o que transforma isso em direito exercível.

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Situação atual

O que a clínica paga hoje de imposto sobre consumo

PIS, 0,65% sobre R$ 904.979,45R$ 5.882,37
COFINS, 3% sobre R$ 904.979,45R$ 27.149,38
ISS, 2% sobre R$ 904.979,45R$ 18.099,59
Total por mêsR$ 51.131,34

Repare no que não aparece nesta conta. Nenhum centavo dos R$ 584.768 de compra abate nada. No sistema atual, contratar mais médico PJ ou comprar mais material não muda o imposto da clínica em nada. Isso vai deixar de ser verdade em 2027.

ISS de 2% como premissa deste estudo, a confirmar contra a legislação municipal e o subitem de enquadramento. Cada ponto de ISS a mais são R$ 9.049,79 por mês.
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A variável que decide tudo

O mesmo faturamento gera quatro resultados, conforme o regime dos médicos PJ

O que o médico PJ destaca na notaCrédito geradoResultado em 2033
28,0%, fornecedor no regime cheioR$ 149.105,97acumula R$ 62.377,34
11,2%, fornecedor de saúde com redução de 60%R$ 59.642,39recolhe R$ 27.086,24
7,0%, fornecedor do Simples, estimadoR$ 37.276,49recolhe R$ 49.452,13
0%, MEI ou sem notaR$ 0,00recolhe R$ 86.728,63

Entre o melhor e o pior cenário há R$ 149 mil por mês de diferença, e a clínica não decide isso sozinha. Quem decide é o regime de quem emite a nota. Levantar o regime dos maiores fornecedores é a tarefa de maior retorno deste trabalho, e dá para começar esta semana.

Simulação sobre a receita média de R$ 904.979,45 e compras de R$ 584.768,00 por mês, com material creditado a 28%.
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O resultado, com o cenário intermediário

Mesmo no cenário conservador, a conta cai quase pela metade

R$ 0
Hoje
PIS, COFINS e ISS
R$ 0
2033, crédito a 11,2%
fornecedores de saúde com redução
R$ 0
2033, sem crédito
se os fornecedores forem MEI ou não destacarem
Como se chega nesses números
Hoje são R$ 51.131,34, que é 0,65% de PIS, 3% de COFINS e 2% de ISS sobre R$ 904.979,45. Em 2033 o débito é 11,2% sobre a mesma receita, R$ 101.357,70, do qual se abate o crédito das compras. Com os médicos PJ destacando 11,2% e o material a 28%, o crédito é R$ 74.271,46 e sobra R$ 27.086,24 a recolher, uma queda de 47%. Sem crédito nenhum, sobra o débito quase inteiro.
A alíquota de referência de 28% é estimativa e ainda será fixada por resolução do Senado, art. 349 da LC nº 214/2025.
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Um cuidado no melhor cenário

Crédito acumulado não é dinheiro em caixa

Se os fornecedores destacarem a alíquota cheia, a clínica termina o mês com crédito em vez de imposto a pagar. Isso é bom, mas exige entender como esse crédito se realiza.

1

A ordem que a lei manda seguir

O art. 53 determina que o crédito apurado seja usado por compensação, nesta ordem: primeiro com saldo a recolher vencido de períodos anteriores, depois com débitos do próprio período, e por fim com débitos dos períodos seguintes.

2

O efeito prático

Crédito que sobra não vira depósito na conta no mês seguinte. Ele fica esperando débito futuro para ser consumido, e enquanto isso é capital parado.

3

O que fazer com isso

Se o cenário de crédito acumulado se confirmar, vale planejar a composição de fornecedores e o fluxo de caixa contando com esse ativo, e não esperar que ele se converta sozinho.

Este é o tipo de coisa que só aparece quando a conta é feita com os números reais. Numa apresentação genérica, o cenário de crédito acumulado nem existiria.

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Cenários, o que joga a favor

Cinco coisas que trabalham para a clínica

Redução de 60% na saída

Serviço de saúde listado no Anexo III paga 11,2% em vez da alíquota cheia, arts. 128 e 130.

Base de crédito de 64,6%

Quase quatro vezes a da clínica média. Quanto maior a compra com nota, menor o imposto líquido.

Crédito sem estorno

A saída é reduzida e a entrada credita pelo que foi destacado, art. 47, § 10. É o motor do resultado.

Glosa fora da base

O que a auditoria médica glosou e não pagou não integra a base, art. 130, parágrafo único. Hoje o ISS incide até sobre glosa.

Fim da cumulatividade

Hoje PIS, COFINS e ISS incidem sem abatimento nenhum. Os R$ 584.768 de compra mensal não reduzem um centavo da conta atual.

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Cenários, o que exige atenção

Cinco pontos a vigiar, e nenhum deles é motivo para não comemorar

Dependência dos fornecedores

58,8% da receita passa por médicos PJ. Se eles mudarem de regime, o crédito muda sem a clínica fazer nada.

Split payment tira o giro

A partir de 2027 o imposto é retido na liquidação. Convênio paga em 30, 60 ou 90 dias, e quem financiava esse prazo precisa de outra fonte.

Crédito parado é capital parado

No melhor cenário a clínica acumula crédito, e ele só se realiza por compensação, art. 53.

A receita caiu 21,1%

Comparando os seis meses de 2026 com os seis de 2025, a receita caiu R$ 1.552.461,17. Toda projeção aqui parte da base de 2026, e a estrutura de custo fixa não cai junto.

A alíquota ainda não existe

Os 28% são estimativa. Como esta clínica credita muito, alíquota maior pode até melhorar o saldo dela, o que é contraintuitivo e vale acompanhar.

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O que fazer antes de 2027

Quatro coisas que dependem só da clínica, e o que cada uma vale

1. Levantar o regime dos médicos PJ

Financeiro com a Voga, começa esta semana. Entre o melhor e o pior cenário há R$ 149 mil por mês. É a tarefa de maior retorno de todas.

2. Implantar o controle de glosa

Faturamento, no fechamento deste mês. Faturado, glosado, recursado e recebido. Cada 1% de glosa vale R$ 1.013 por mês fora da base.

3. Conferir o Anexo III por procedimento

Voga, com a tabela de procedimentos. Endoscopia, colonoscopia, retossigmoidoscopia, ultrassonografia e biópsia, cada uma contra a classificação NBS.

4. Simular o caixa sem o imposto passando

Sócios com o financeiro, antes do orçamento de 2027. Refazer o saldo dos últimos doze meses sem esse dinheiro transitando pela conta.

Nenhuma das quatro depende de regulamentação, de decisão de convênio nem de troca de sistema. As quatro dependem de rotina interna, e por isso dá para começar hoje.

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Próximo passo

Este estudo continua, e ele se atualiza com os seus números

Simulador aberto da Voga
vogasc.com.br/reformatributaria/simulador.html
1

Perfil Serviços de saúde

Aplica a redução de 60% e mantém o crédito sem estorno.

2

A Voga refaz a conta a cada trimestre

Com o balancete novo, a composição de fornecedores atualizada e o controle de glosa.

Estudo elaborado pela Voga Serviços Contábeis sobre documentos da própria clínica. Os números são simulação com premissas declaradas, sobre norma ainda em regulamentação, e não substituem parecer.
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