A loja de tintas compra quase tudo com documento fiscal, e isso joga a favor. Mas ela está no Simples Nacional, e o Simples ganhou uma decisão nova que muda o quanto o seu cliente aproveita da sua nota.
A loja de tintas compra a maior parte do que fatura, e no sistema novo toda compra com nota vira crédito. O que segura a conta não é a alíquota, é o quanto a lata de tinta entra com documento fiscal. E como a loja está no Simples, ela precisa decidir como o crédito chega ao pintor e à empreiteira que compram dela.
A decisão nova é do Simples, e não é sobre alíquota. O optante pode continuar no Simples para IRPJ, CSLL e CPP e apurar IBS e CBS pelo regime regular, art. 41, § 3º, da LC nº 214/2025. É isso que define quanto do seu imposto vira crédito na mão do cliente empresa.
Tinta imobiliária e automotiva, esmalte, verniz, solvente, massa, rolo e pincel. Compra de fábrica e distribuidor, tudo com nota. Vende para pintores, empreiteiras, construtoras e condomínios, que são empresas, e também para o consumidor final que vai pintar a própria casa.
Mercadoria para revenda, energia, aluguel do ponto e frete entram como compra. Guarde esses números: a diferença entre um cliente pintor e um cliente dono de casa vai decidir a conta daqui a pouco.
| O DAS do mês, sobre R$ 300.000 | % da receita | Valor |
|---|---|---|
| DAS totalAnexo I, 5ª faixa | 11,88% | R$ 35.625,00 |
| CBS e IBSo que o cliente consegue creditar | 5,82% | R$ 17.456,00 |
| IRPJ, CSLL e CPPninguém credita | 6,06% | R$ 18.169,00 |
Metade da sua guia é imposto que o cliente empresa nem enxerga. Dos R$ 35.625, apenas R$ 17.456 são CBS e IBS, a fatia que o pintor ou a empreiteira aproveita como crédito. O resto continua existindo em qualquer cenário.
Sobre os R$ 300.000 faturados, sem abater o que você pagou pela tinta. A lata comprada gera pouco crédito e a maior parte do imposto não volta.
Os R$ 195.000 de tinta e despesas com nota viram crédito e abatem o imposto. Sobra uma base de R$ 105.000, que é 35% da receita.
Pense em cada lata de tinta que entra com nota como um vale. No sistema antigo o vale valia pouco. No novo, ele abate imposto na alíquota cheia do fornecedor. Quem compra muito, como a loja de tintas, junta muito vale.
CBS e IBS seguem embutidos no DAS. O pintor ou a empreiteira aproveita apenas a fatia proporcional, cerca de 5,82% da nota. É mais simples de operar, e encarece a sua tinta para o cliente empresa.
Você segue no Simples para IRPJ, CSLL e CPP, e destaca CBS e IBS na nota. O cliente credita a alíquota cheia, e a loja passa a creditar a própria compra de tinta. Art. 41, § 3º.
A rota por fora abre uma torneira que hoje está fechada. Comprando R$ 195.000 de tinta com nota, a loja passa a creditar 28% disso, R$ 54.600 por mês, que hoje é custo morto dentro do preço da lata.
| Efeito para quem compra de você | Guia única (DAS) | CBS e IBS por fora |
|---|---|---|
| Crédito que o cliente aproveita | parcial, 5,82% | integral, 28% |
| Crédito em reais na nota de R$ 10.000 | R$ 582,00 | R$ 2.800,00 |
| Custo efetivo da tinta para o cliente | R$ 9.418,00 | R$ 7.200,00 |
a mais de custo na mesma nota, se você ficar na guia única. Na disputa com a loja concorrente do regime regular, isso decide a venda.
por mês em crédito das compras de tinta, que na guia única fica como custo morto no preço.
O imposto próprio sobe, mas não vem sozinho. Por fora, o cliente empresa passa a creditar 28% em vez de 5,82%, e a loja recupera o crédito das compras. Na guia única a sua conta muda pouco, mas o pintor e a empreiteira creditam bem menos.
Pintor, empreiteira, construtora e condomínio são empresas e valorizam o crédito. O dono de casa que pinta o quarto não credita nada. Quanto mais você vende para empresa, mais a rota por fora compensa.
Sair da guia única joga IRPJ, CSLL e CPP para fora do DAS. Como a CPP é 20% sobre a folha, é a folha que decide o ponto de virada. No exemplo, R$ 38.000 de folha dão R$ 7.600 de CPP por mês.
A loja de tintas já compra 65% do que vende. Esse crédito só existe de verdade na rota por fora, e só se a tinta entrar com documento idôneo no CNPJ da loja.
Faltam dois números para fechar a conta: quanto do seu faturamento vai para empresa, e a sua folha. Com esses dois, a decisão de regime fecha em uma tarde. Sem eles, qualquer recomendação é chute.
Alíquota de 1%, compensada, não mexe no caixa. O trabalho é ajustar sistema e nota fiscal, e atualizar o cadastro das tintas.
PIS e COFINS acabam, a CBS entra cheia e a IBS começa em teste. É aqui que o optante do Simples passa a poder escolher recolher CBS e IBS por fora, art. 41, § 3º.
O ICMS e a substituição tributária da tinta caem em quatro etapas, enquanto o IBS sobe na mesma medida.
Só CBS e IBS, já com o crédito das compras. O sistema antigo acabou.
Balcão e financeiro, começa esta semana. Separe a venda para pintor, empreiteira e construtora da venda ao consumidor final. É esse número que decide a rota do Simples.
Compras, começa esta semana. Tinta, solvente, energia, frete e aluguel. Cada R$ 10.000 com nota valem R$ 2.800 de crédito na rota por fora.
Contabilidade, até o fim de 2026. Guia única ou por fora depende do peso da folha e da fatia de venda para empresa. É conta, não palpite.
Fiscal, antes da virada. A substituição tributária acaba e o crédito passa a depender da classificação correta de cada produto na entrada e na saída.
Nenhuma das quatro depende de regulamentação. As quatro dependem de rotina interna e de cadastro, e por isso dá para começar hoje.
65% da receita em tinta e despesas. Na rota por fora, tudo isso vira crédito na alíquota cheia, sem estorno, art. 47, § 10.
Hoje a tinta chega com o ICMS já retido por substituição na maioria dos estados, imposto pago antes de vender. Com o fim da ST, esse dinheiro deixa de ficar parado no estoque.
O imposto passa a pegar a margem, R$ 105.000, e não o balcão inteiro de R$ 300.000.
Quem pinta a própria casa não aproveita crédito. Se a maior parte da venda for para pessoa física, a rota por fora rende pouco.
O cliente pintor e a empreiteira creditam só ~5,82% em vez de 28%, e a loja concorrente do regime regular leva a venda.
Sair da guia única joga a CPP para fora do DAS. Quanto maior a folha, mais tarde compensa recolher por fora.
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A Voga mantém um simulador aberto que compara o que a loja paga hoje com o que pagará em 2027 e em 2033, com a memória de cálculo linha a linha.
Ele aplica a alíquota cheia na saída e o crédito integral na compra, que é a regra da revenda de mercadoria.
É a fatia de PJ que decide se a rota por fora do Simples compensa.
A Voga fecha a decisão entre guia única e recolhimento por fora com os números reais da loja.